quarta-feira, 17 de novembro de 2010
O Ferro Velho - Joan Manuel Serrat
Canções da minha vida:
Estamos em 1969, parece que tudo se passa neste ano.Recordo-me de ouvir esta canção pela manhã enquanto me arranjava para ir para o trabalho,tinha 18 anos nessa altura. Ainda sou do tempo de em lisboa ver os "ferro velho" a passarem pelas ruas e era assim mesmo, os miúdos tinham medo desta figura porque os paisinhos os assombravam com ela.
Sempre de manhã,
com chuva o com sol,
mesmo com frio ou nevoeiro,
de ruela em ruela,
ouvíamos gritar:
"Mulheres, chegou o ferro-velho!"
Todas as manhãs
te víamos chegar...
com um grande saco as costas,
um charuto apagado,
o fato esfarrapado,
a boina e as alpargatas.
E sempre, sempre seguido
pela canalha miúda.
Eras a grande atracção.
Tu, o teu saco e a canção.
Sou o ferro-velho,
compro garrafas, papéis,
compro trapos, roupa usada,
guarda-chuvas, móveis velhos...
Sou o ferro-velho,
os miúdos gritam e cantam.
"Mau, já começo a chatear-me.
Não lhes disse a vossa mãe
que eu sou o homem do saco?"
E até à noite assim,
de ruela em ruela,
e de taverna em taverna.
Com os teus papéis
encharcado em vinho,
voltarás à tua casa.
E voltas feliz,
porque todo compraste:
o peixe, o vinho, uma vela.
E o pouco de amor
que te deve ter dado
qualquer rameira velha.
Sem tempo para pensar.
Toca a dormir. Sopra a vela.
E amanhã pelo mundo girar
tu, teu saco e a canção...
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Canções da minha vida
Estrela da tarde
Era a tarde mais longa de todas as tardes
Que me acontecia Eu esperava por ti, tu não vinhas Tardavas e eu entardecia Era tarde, tão tarde, que a boca, Tardando-lhe o beijo, mordia Quando à boca da noite surgiste Na tarde tal rosa tardia Quando nós nos olhamos tardamos no beijo Que a boca pedia E na tarde ficamos unidos ardendo na luz Que morria Em nós dois nessa tarde em que tanto Tardaste o sol amanhecia Era tarde demais para haver outra noite, Para haver outro dia. (Refrão) Meu amor, meu amor Minha estrela da tarde Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde. Meu amor, meu amor Eu não tenho a certeza Se tu és a alegria ou se és a tristeza. Meu amor, meu amor Eu não tenho a certeza.
Foi a noite mais bela de todas as noites
Que me aconteceram Dos noturnos silêncios que à noite De aromas e beijos se encheram Foi a noite em que os nossos dois Corpos cansados não adormeceram E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram.
Foram noites e noites que numa só noite
Nos aconteceram Era o dia da noite de todas as noites Que nos precederam Era a noite mais clara daqueles Que à noite amando se deram E entre os braços da noite de tanto Se amarem, vivendo morreram.
(Refrão)
Eu não sei, meu amor, se o que digo
É ternura, se é riso, se é pranto É por ti que adormeço e acordo E acordado recordo no canto Essa tarde em que tarde surgiste Dum triste e profundo recanto Essa noite em que cedo nasceste despida De mágoa e de espanto. Meu amor, nunca é tarde nem cedo Para quem se quer tanto!
Ary dos Santos
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terça-feira, 26 de outubro de 2010
le metéque
Canções da minha vida
Estamos no ano de 1969. Terei 17 para 18 anos. Trabalho no escritório de uma loja de electrodomésticos e que faz montagens de instalações eléctricas, passo os dias a fazer calculos numa máquina de calcular "facit", na facturação dos clientes, etc,etc. Findo o dia de trabalho, passo por casa como qualquer coisa e sigo para a escola Josefa de Óbidos, nos prazeres, trajecto que faço a pé todos os dias. Eu e uma colega e amiga adoravamos esta canção. Que será feito de ti Lurdes Sousa?
La Metéque O Metque
Avec ma gueule de métèque, de juif errant, de pâtre grec
Aritmética com minha boca, judeu errante,um pastor grego
Et mes cheveux aux quatre vents
E o meu cabelo aos quatro ventos
Avec mes yeux tout délavés, qui me donnent l'air de rêver
Com meus olhos só apareceu que me dar um sonho
Moi qui ne rêve plus souvent.
Eu sonho que com mais freqüência.
Avec mes mains de maraudeur, de musicien et de rôdeur
Com minhas mãos de saqueadores, músico e gatuno
Qui ont pillé tant de jardins
Quem têm saqueado tantos
Avec ma bouche qui a bu, qui a embrassé et mordu
Com a minha boca que bebia, que beijou e mordido
Sans jamais assouvir sa faim
Nunca satisfazer sua fome
Avec ma gueule de métèque, de juif errant, de pâtre grec
Aritmética com minha boca, judeu errante, um pastor grego
De voleur et de vagabond
Ladrão e vagabundo
Avec ma peau qui s'est frottée au soleil de tous les étés
Com a minha pele era friccionada com o sol durante todo o verão
Et tout ce qui portait jupon
E tudo o que foi anágua
Avec mon coeur qui a su faire souffrir autant qu'il a souffert
Com o meu coração tem que doer tanto quanto ele sofreu
Sans pour cela faire d'histoire
Para fazer isso sem história
Avec mon âme qui n'a plus la moindre chance de salut
Com a minha alma que tem a menor chance Olá
Pour éviter le purgatoire.
Para evitar o purgatório.
Avec ma gueule de métèque, de juif errant, de pâtre grec
Aritmética com minha boca, judeu errante, um pastor grego
Et mes cheveux aux quatre vents
E o meu cabelo aos quatro ventos
Je viendrai ma douce captive, mon âme soeur, ma source vive
Eu virei meu doce em cativeiro, a minha alma gêmea, minha fonte de vida
Je viendrai boire tes vingt ans
Eu irei beber o seu ano
Et je serai prince de sang, rêveur, ou bien adolescent
E eu estarei Blood Prince, sonhador, ou mesmo um adolescente
Comme il te plaira de choisir
Como você gostaria de escolher
Et nous ferons de chaque jour, toute une éternité d'amour
E nós vamos fazer a cada dia, uma eternidade de amor
Que nous vivrons à en mourir.
Como vivemos para morrer.
Et nous ferons de chaque jour, toute une éternité d'amour
E nós vamos fazer a cada dia, uma eternidade de amor
Que nous vivrons à en mourir.
Como vivemos para morrer.
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