terça-feira, 7 de agosto de 2012

Poema de Fernando Pessoa


Saudade Dada

Em horas inda louras, lindas
Clorindas e belindas, brandas,
Brincam no tempo das berlindas,
As vindas vendo das varandas.
De onde ouvem vir a rir as vindas
Fitam a fio as frias bandas.

Mas em torno à tarde se entorna
A atordoar o ar que arde
Que a eterna tarde já não torna!

E em torno de atordoada todo o alarde
Do adornado ardor transtorna
No ar de torpor da tarda tarde.

E há nevoentos desencantos
Dos encantos dos pensamentos
Nos santos lentos dos recantos
Dos bentos cantos dos conventos...
Prantos de intentos, lentos, tantos
Que encantam os atentos ventos.






Arruda Ruta Graveolens


Arruda   Ruta Graveolens    (Rutáceas)

Tanto Leonardo da Vinci como Miguel Ângelo afirmaram que a sua capacidade criativa tinha aumentado graças aos poderes metafísicos da arruda. Costumavam usar-se ramos de arruda para aspergir as pessoas com água benta, antes das missas solenes. Além disso, espalhava-se esta planta por vários locais, pois acreditava-se que combatia a peste. Os ladrões que roubavam as vítimas da peste protegiam-se com “vinagre dos quatro gatunos”, do qual a arruda era um dos ingredientes. Aparece representada na heráldica da Ordem do Cardo, e foi ela que inspirou o desenho do naipe de paus das cartas de jogar.



Folha: Muito recortada com segmentos oblongos, pequenos e verde-azulados, salpicada de glândulas oleosas.


Folhas secas: Contém um poderoso inseticida; esmagar e salpicar para repelir insectos.


Flor: Pétalas amarelo-esverdeadas, espatuladas e fimbriadas, que desabrocham no fim do verão.


Semente: Preta e em forma de crescente, era usada na cozinha romana do século I d. C.


Caule: Cilíndrico e verde azulado pálido, torna-se lenhoso no segundo ano; a sua seiva pode provocar erupções cutâneas.



Raiz: De cor creme, ramosa e fibrosa; pensava-se que se assemelhava à rede de veias do olho do homem.
 

Duração: Subarbusto rústico e sempre verde.
Altura: Sessenta centímetros

Utilização
Na decoração: Planta inteira - Semear para fazer sebes baixas nos canteiros.
Na culinária: Semente – Pôr a marinar a perdiz numa infusão de levístico e hortelã. Folha- é amarga, mas, em pequenas quantidades, dá um invulgar sabor almiscarado ao queijo- creme e aos pratos de ovos e de peixe. Misturada com ameixas e vinho, é um molho delicioso para a carne.
Na cosmética: Folha em infusão para, para lavar os olhos cansados.

Plantação

Local: Exposição ao sol. Também tolera a sombra. Pouco densa.
Solo: Bem arejado e alcalino; pobre para moderar a fertilidade das plantas rústicas.
Propagação: Dividir na Primavera. Cortar estacas de caule no fim do verão. Semear na primavera; de germinação lenta.
Crescimento: Desbastar ou transplantar a intervalos de quarente e cinco centímetros. Podar no fim da Primavera. Proteger em caso de invernos rigorosos. Pode ser cultivada dentro de casa, em local exposto ao sol.
Colheita: Colher as folhas novas mesmo antes de as flores começarem a desabrochar. Apanhar as sementes.
Conservação: Secar folhas e as sementes



domingo, 5 de agosto de 2012

Manjericão-Grande Ocimum Basilicum

Manjericão –grande    Ocimum Basilicum  (Labiadas)

Esta importante “erva” culinária, com o seu aroma quente e picante, transforma qualquer cozinheiro num poeta. Oriundo da India, o manjericão-grande é venerado como planta imbuída de essência divina e, portanto os indianos escolheram-no para sobre ele fazerem os seus juramentos em tribunal. Encontrou-se manjericão-grande em volta do túmulo de Cristo, depois de ressurreição, e é por isso que algumas igrejas ortodoxas gregas o usam para preparar a água benta e têm vasos debaixo dos altares.
Existem muitas variedades incluindo um arbusto oriundo da América do Sul. No Haiti, aompanha a deusa pagã do amor, Erzulie, como uma poderosa protecção, e as camponesas mexicanas trazem-no muitas vezes no bolso para atraírem o olhar de alguém eventual apaixonado.


Folha: grande, serrada, ovalada e verde clara, com cheiro forte e ardente mas fresco, a trevo.



Flor: Os fascículos circulares de seis flores pequenas, aromáticas e esbranquiçadas desabrocham no fim do verão.
Folhas secas: Pulverizar para se libertar o aroma de trevo, e usar em potpourris e contas de cheiro.
 


Caule: Pubercente, finamente estriado, quadrado, ramoso, verde-claro, a avermelhado na base.

Sementes: castanho-escura, facetada, em forma de lágrima com um milímetro de comprimento.

Duração: Planta suculenta anual.
Altura: Quarenta e cinco centímetros.

Utilização

Folha Triturar com óleo ou fazer em pedaços  com os dedos, em vez de cortar. Adicionar no último minuto a pratos cozinhados. Salpicar por cima das saladas e de tomates em rodelas. O seu aroma intenso e penetrante completa o do alho. Usa-se no molho Pesto e em muitos pratos mediterrâneos, e para aromatizar vinagres com vários sabores.

Em casa Planta inteira Pôr em vasos nas janelas para afastar as moscas.

Na medicina Folha mergulhar as folhas em vinho durante algumas horas, para se obter um tónico. Em infusão (chá), ajuda a fazer a digestão. É muito usado em aromaterapia.

Local: Sol quente. Proteger do vento, da geada e do sol muito quente do meio dia.

Solo: Bem arejado e húmido.

Propagação: Semear em local aquecido. Depois de ter passado o perigo das geadas, semear em vasos ou no exterior, em local definitivo.

Crescimento: Evitar regar de mais os rebentos, poi podem murchar. Desbastar de modo a que as plantas fiquem vinte centrímetros afastadas umas das outras; evitar transplantá-las.
Regar sempre a meio do dia, e não à tardinha.Se o tempo estiver quente, borrifar as folhas. O Manjericão-grande é uma excelente planta de interior.

Colheita: Apanhar as folhas ainda novas. Colher as extremidades quando as flores começam a desabrochar.

Conservação: Congelar as folhas (primeiro, pincelar as duas páginas com azeite) ou secá-las. Guardar as folhas inteiras em azeite ou empilhá-las a seco, com sal. Mergulhar as folhas em óleo ou em vinagre.




sábado, 4 de agosto de 2012

Erva-Cidreira / Melissa Officinalis

Erva- Cidreira / Melissa Offinalis  (labiadas)

Acreditava-se que a erva cidreira era capaz de rejuvenescer as pessoas.Em 1696, afirmava-se no London Dispensary: " Se for tomada todas as manhãs, a erva cidreira rejuvenesce, fortalece o celebro e desperta as naturezas apáticas".
No século XIII, Llewelyn, príncipe de Glamorgan, bebia regularmente chá de erva-cidreira, e viveu até aos cento e oito anos, e john Hussey, de Sydenham, viveu até ao s cento e dezasseis, tendo passado cinquenta anos a tomar a mesma infusão com mel ao pequeno-almoço.    O seu poder de dissipar a melancolia sempre foi muito louvado nos escritos sobre "ervas", e a erva-cidreira ainda hoje é usada na aromaterapia para combater a depressão.       
                                                        Erva cidreira benefícios
Folha: Com cheiro a limão, um tanto vilosa, com nervuras sulcadas,serradas, ovada e verde clara; as folhas tornam-se amarelas e de cheiro desagradável se estiverem  à luz directa do sol, em terreno seco. 


Flor: Flores pequenas bilabiadas, amarelo claro, amarelo-claras, em fasciculos; ao secar passam a brancas e depois a azul claro; desabrocham do Verão ao Outono.


Folhas secas:Secar a erva cidreira reduz-lhe o aroma e as propriedades medicinais.
FolhasMelissa officinalis Aurea: com aroma de limão, manchadas de dourado; cultivar à luz indirecta do sol, pois a directa queima as folhas  e origina manchas mais claras. Altura 30cm.


Caule: Pubescente,quadrado, ramoso e verde claro, de vez em quando com manchas purpúreas.

Semente: Castanho-escura, brilhante, com uma ponta branca, em forma de lágrima e com um milímetro de comprimento.


Duração : Planta herbácea, vivaz e rústica.
Altura: Pode atingir até um metro.


Utilização
Na decoração: Folhas usar em ramos de Flores.


Na culinária: Folha Cortar finamente folhas frescas,  e misturá-las com as saladas, molhos brancos para peixes, maioneses, arenques em conserva, aves e carne de porco. Adicionar a saladas de fruta, compotas, e cremes de leite e ovos, bebidas de fruta e copos de vinho.
Com folhas frescas, fazer um chá ou pô-las a flutuar no chá indiano. Adicioná-las ao estragão ou a outros vinagres.


Em casa: Folha Misturar a seiva com liquido para a limpeza  dos móveis.  Em tempos, espalhava-se por toda a casa.


Para aromatizar: Folha usar em potpourris e saquinhos de cheiro.


Na Medicina: Folha em infusão (chá), alivia o catarro provocado pela bronquite crónica, as constipações febris e as dores cabeça.


Plantação
Local: exposição ao sol com sombra ao meio dia.


Solo: Cresce em qualquer solo humido.
Propagação: Semear na Primavera. A sua germinação é lenta. Dividir a planta ou cortar estacas de caule na Primavera ou Outono.


Crescimento: Desbastar ou ou transplantar de sessenta em sessenta 
centímetros. As plantas pequenas podem cultivar-se em vasos dentro de casa.

Colheita: Apanhar as folhas em qualquer altura, mas com cuidado para não ferir a planta. O seu aroma é melhor  quando as flores começam a desabrochar.

Conservação:  Secar as folhas. Mergulhe as folhas frescas em vinagre.
                    


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Semear no mês de Agosto


Semear no mês de Agosto:

na horta em local definitivo,Agrião,  espinafre, feijão,nabo rabanete, repolho de inverno, salsa.

Em canteiro semear alcega, alface, couve-nabo.

mãos à obra e bom trabalho.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Funcho Foeniculum vulgare

Funcho  (umbeliferas)

O funcho é uma das "ervas" cultivadas mais antigas, e era muito apreciado pelos romanos. "Por isso, os gladiadores ferozes e rudes misturavam-no na sua ração diária, e aqueles que eram vencidos levavam uma coroa de funcho" (Henry Wadsworth Longfellow). Quando participavam em muitos banquetes, os guerreiros romanos comiam funcho para se manterem de boa saúde enquanto as damas  o ingeriam para combater a obesidade. Toda a planta, da semente à raiz, é comestível. Era uma das nove "ervas" sagradas para os anglo-saxões, devido aos seus poderes contra o mal. Além disso, tem propriedades curativas. Em 812 d.C., Carlos Magno declarou que o funcho era essencial em qualquer jardim imperial.



Folha aromática, plumosa com lacinias filiformes verde limpa, passando a verde-lima, passando a verde-escura no Outono.


Flor Umbélulas pequenas, aromáticas, achatadas e amarelas, que desabrocham a meio do verão.


Caule cilindrico, de um tom azul-esverdeado-escuro, brilhante; quando novo é carnudo, e depois vai ficando oco.





Semente curva e estriada aromática, estreira e castanho-esverdeado.

Utilização

Na culinária:

"semente" usar em molhos, pratos de peixe e pão; misturar os rebentos em saladas de inverno.

 "Folha" cortar e pôr nas saladas e nas hortaliças cozinhadas. Adicionar a sopas e recheios de peixes oleosos.

  "Caule" adicionar os caules novos às saladas.

 "Base engrossada" (Funcho doce) Cortar ou ralar crua e misturar nas sanduíche ou nas saladas. Cozinhar como se fosse a raiz de uma hortaliça.

Na cosmética

"Semente":  Mastigar para suavizar o hálito.

"semente  e folha": Usar em vapores faciais e banhos para uma limpeza profunda.

Plantação

Local: Exposição total ao sol para que a semente amadureça.

Solo: Argiloso  e bem arejado, Devem evitar-se os solos barrentos.

Propagação: Semear do fim da Primavera ao principio do verão. (Quando bem estabelecido, volta a germinar espontaneamente). Dividir as plantas no Outono.

Crescimento :Desbastar ou transplantar de cinquenta em cinquenta centímetros. Não plantar perto do aneto, pois dá-se uma polinização cruzada, nem dos coentros, que lhe reduzem a produção de sementes. Para melhor de folhas, retirar os frutos, senão forem precisos. Não é uma planta de interior.

Conservação: congelar as folhas ou pô-las em infusão em oleo ou vinagre. 
Secar as sementes.

Duração: Herbácea, perene e rústica.
Altura: Dois metros e meio.


sábado, 28 de julho de 2012

Poema de Ruy Belo


Ruy Belo
(1933-1978)


E tudo era possível

Na minha juventude antes de ter saído 
de casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o  mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela tivesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder de uma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer


Árvore rumorosa

Árvore rumorosa pedestal da sombra
sinal de intimidade decrescente
que a primavera veste pontualmente
e os olhos do poeta de repente deslumbra

Receptáculo anónimo do espanto
capaz de encher aquele que direito à morte passa
e no ar da manhã inconsequentemente traça
o rasto desprendido do seu canto

Não há inverno rigoroso que te impeça
de rematar esse trabalho que começa
na primeira folha que nos teus braços te desponta

Explodiste a vida e és serenidade
e imprimes no coração mais fundo da cidade
a marca do principio a que tudo remonta